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Notícias por Categoria
Caso foi registrado por gravações feitas pelos pais da vítima, que revelaram episódios de terror psicológico; defesas e acusação vão recorrer
Uma professora e duas auxiliares de uma creche municipal foram condenadas por tortura contra uma menina de dois anos com transtorno do espectro autista (TEA) grau 3, no interior de São Paulo. A decisão é da 1ª Vara de Pirassununga (SP) e foi proferida no dia 10 de março.
As penas variam entre 2 e 3 anos de prisão em regime aberto, além da perda dos cargos públicos e da inabilitação para exercer função pública pelo dobro do tempo da condenação.
A diretora da unidade, que também era ré no processo, foi absolvida por falta de provas de que tinha conhecimento dos abusos.
Entenda o caso
O crime ocorreu em maio de 2022, na Creche Municipal Nedy de Oliveira, em Pirassununga (SP), e foi descoberto após os pais da criança esconderem um gravador na mochila da filha.
A vítima, que é não verbal, não tinha condições de relatar o que sofria.
De acordo com o processo, as funcionárias:
Trancavam a criança no banheiro
Excluíam a menina de atividades coletivas
Submetiam a vítima a humilhações constantes
As gravações, com cerca de sete horas de duração, revelaram um cenário descrito pela Justiça como “terror psicológico”.
Gravações foram decisivas
Segundo a sentença, os áudios mostram que as funcionárias utilizavam sons de batidas e vozes alteradas para assustar a criança, criando a figura do “bicho papão”.
Além disso, as rés foram flagradas zombando da condição da menina, chamando-a de “louca” e afirmando que ela “sabia o que fazia”.
O juiz Donek Hilsenrath Garcia destacou a gravidade da situação: “O que o áudio documenta não é o excesso de educadoras irritadas com o choro incessante de uma criança. O que ele revela é a encenação deliberada, premeditada e coordenada de um espetáculo de terror psicológico ao longo de horas.”
Penas aplicadas
As condenações foram:
Carla Fernanda de Carvalho (auxiliar): 2 anos, 8 meses e 20 dias de prisão em regime aberto + perda do cargo
Isabel Cristina da Silva (auxiliar): 3 anos, 2 meses e 3 dias de prisão em regime aberto + perda do cargo
Rosangela Izete Berto de Oliveira (professora): 2 anos, 8 meses e 20 dias de prisão em regime aberto + perda do cargo
Recursos
O assistente de acusação, Nelson Ribeiro, afirmou que considera as penas baixas e vai recorrer, inclusive pedindo a condenação da diretora.
Já as defesas também informaram que irão recorrer da decisão.
O advogado André Luís Miziara Gentil, que representa duas das rés, afirmou que buscará comprovar a inocência das clientes. A defesa de Rosangela, representada por William Oliveira, também declarou discordar da sentença.
Posicionamento da prefeitura
A Prefeitura de Pirassununga informou, em nota, que não irá se manifestar neste momento, já que o processo ainda está em andamento e cabe recurso.