“Pensei que era o fim”, diz jovem que ficou cinco dias perdido no ponto mais alto do Sul do Brasil
Auriflama - Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026

Um jovem de 19 anos viveu momentos de tensão após passar cinco dias perdido em uma área de mata fechada na região do Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil. Roberto Farias Tomaz desapareceu no dia 1º de janeiro, enquanto descia a trilha, e só conseguiu ser localizado nesta segunda-feira (5), depois de caminhar quilômetros sozinho até encontrar ajuda.
Segundo o Corpo de Bombeiros, Roberto percorreu cerca de 20 quilômetros pela mata até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina. No local, ele pediu um celular emprestado, entrou em contato com a irmã e avisou que estava vivo.
Durante o período em que esteve desaparecido, mais de 100 bombeiros e cerca de 300 voluntários participaram das buscas, que contaram com helicópteros, drones, câmeras térmicas e equipes especializadas em rapel. O Pico Paraná é conhecido pelo alto grau de dificuldade das trilhas e por registros anteriores de desaparecimentos e resgates.
Em relato emocionado, o jovem contou que chegou a acreditar que não seria encontrado.
“Eu pensei que era o fim, que talvez eu já tivesse morrido. Em um momento eu até alucinei. Mas pedi forças para Deus, pensei muito na minha mãe e na minha família. Eu só pedia para chegar em casa bem e com saúde”, afirmou.
Roberto disse que, no primeiro dia, ouviu um helicóptero sobrevoando a área e percebeu que as buscas estavam em andamento. Com o passar dos dias, sem novos sinais, ele chegou a imaginar que a operação pudesse ter sido encerrada.
“No terceiro dia eu pensei que talvez tivessem cancelado as buscas, mas acreditei que Deus estava comigo e segui em frente, tentando encontrar um caminho”, contou.
Após ser localizado, uma equipe do Corpo de Bombeiros foi até a fazenda e encaminhou o jovem ao hospital de Antonina. De acordo com os profissionais de saúde, ele estava lúcido, comunicativo, sem lesões graves, apresentando apenas escoriações e sinais de desidratação. O rapaz passou por exames e recebeu hidratação.
O jovem também fez questão de agradecer às equipes de resgate, voluntários e às pessoas que se mobilizaram em oração durante os dias de buscas.
“Sou muito grato a todos que subiram, a quem orou, a quem sentiu essa emoção junto com a minha família. Agradeço muito a Deus, à minha mãe, que é minha principal guia, e a todos de coração”, disse.
Já em recuperação, Roberto contou qual é o primeiro desejo quando receber alta do hospital, após passar cinco dias sem se alimentar.
“Eu quero comer alguma coisa. Uma picanha com vinho. Era a única coisa que eu pensava lá no meio do mato. Depois, uma coxinha com coca”, brincou.
