Cachorro comunitário conhecido como Orelha é morto após agressões, e parentes de suspeitos são indiciados por coação
Auriflama - Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026

A morte de um cachorro comunitário virou caso de polícia em Florianópolis. O cão conhecido como Orelha, que vivia há cerca de dez anos na região e era cuidado por moradores, morreu após sofrer agressões violentas. Parentes de adolescentes suspeitos de envolvimento no crime foram indiciados por coação de testemunha.
As agressões ocorreram entre os dias 3 e 4 de janeiro, na Praia Brava, área com condomínios de alto padrão. Orelha foi encontrado por moradores já em estado crítico e precisou ser submetido à eutanásia no dia 5, em um hospital veterinário. Um laudo confirmou que o animal sofreu múltiplas agressões e uma pancada na cabeça, embora o objeto utilizado não tenha sido localizado.
A investigação identificou quatro adolescentes suspeitos de participação no crime. As identidades não foram divulgadas por se tratarem de menores de idade. Dois deles estariam em viagem aos Estados Unidos. Nesta terça-feira (27), a Polícia Civil indiciou dois empresários e um advogado, parentes dos adolescentes, que teriam ameaçado um vigilante que presenciou as agressões. O profissional foi afastado das funções por segurança.
Conhecido por ser dócil, Orelha circulava livremente pela comunidade, recebia alimentação, cuidados veterinários e dormia em uma casinha junto com outros animais.
“O Orelha era um cachorro tão carinhoso que, quando a gente ia dar carinho para ele, na verdade quem recebia o carinho éramos nós”, relatou a arquiteta Carolina Zylan.
“O que a gente quer é justiça, que isso sirva de exemplo para que ninguém mais faça isso com animal nenhum”, disse o ambulante Claudio Carvalho.
O crime causou revolta entre moradores e mobilizou as redes sociais. Um grupo foi criado para cobrar responsabilização dos envolvidos. Segundo a Polícia Civil, o mesmo grupo de adolescentes também é suspeito de tentar afogar outro cachorro da comunidade, conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar.
Na segunda-feira (26), uma operação policial apreendeu celulares e outros dispositivos eletrônicos em endereços ligados aos adolescentes e aos responsáveis legais. Os materiais serão periciados. Mais de 20 pessoas já foram ouvidas, e imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas.
“Temos uma janela de mais de 72 horas de gravações de 14 câmeras de monitoramento, o que representa mais de mil horas de material para análise”, afirmou a delegada Mardjoli Valcareggi.
