Aumento da poluição no Rio Tietê preocupa moradores na região do noroeste paulista após detecção de compostos químicos
Auriflama - Quinta-feira, 30 de Abril de 2026

Análises feitas em trechos do Rio Tietê, que passam pelo noroeste paulista, identificaram a presença de compostos químicos e apontaram a piora na qualidade da água. O monitoramento detectou substâncias como nitrato e fosfato, indicadores associados à poluição e ao excesso de nutrientes no lençol freático.
O levantamento é realizado mensalmente por voluntários do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica. Na região de Araçatuba (SP), a coleta e o acompanhamento dos dados são feitos pelo Clube da Árvore.
Segundo os responsáveis pelo monitoramento, o aumento desses compostos favorece a proliferação de algas e cianobactérias, fenômeno já visível em alguns trechos do rio, onde a água passou a apresentar coloração esverdeada.
O fenômeno conhecido como “mancha verde” ocorre quando plantas aquáticas se multiplicam rapidamente devido ao excesso de nutrientes, que funcionam como alimento. Esses nutrientes podem ter origem no esgoto doméstico ou industrial, na vinhaça, resíduo da produção de etanol, e em fertilizantes utilizados na agricultura.
Desde junho do ano passado até abril deste ano, foram realizadas 13 análises no trecho monitorado. A coleta mais recente registrou o maior número de poluentes desde o início da série.
“Mês a mês, a gente foi acompanhando os indicadores, mas em abril tivemos uma diferença muito grande, principalmente no fosfato e no nitrato”, explicou Maryane Camargo, vice-presidente do Clube da Árvore.
Reflexos no ecossistema
O agravamento da poluição já traz impactos perceptíveis para moradores e pescadores da região. Frequentadores relatam redução na quantidade de peixes nos últimos meses.
A pescadora Cláudia Domingos, moradora de Clementina (SP), afirma que a mudança ficou evidente após a alteração na cor da água.
“Antes a gente pegava bastante peixe. Depois que a água começou a ficar mais verde, não consegue pegar nem um ou dois”, relatou.
Imagens registradas no dia 17 de março mostram um “tapete verde” tomando conta de áreas do rio, próximo à usina hidrelétrica de Promissão, evidenciando o avanço das algas e o impacto ambiental na região.
